Porque ainda há muito preconceito contra a selfie?

É difícil lembrar de um tempo antes da selfie, além de legendas de fotos sozinhas para compartilhar. Graças às câmeras frontais e à ascensão das mídias sociais, as selfie povoam nossos rolos de câmera, feeds de Instagram, perfis de outras redes sociais e vocabulários.

Há mobiliários projetados para dar uma iluminação digna de fotos, como pode ser visto diretamente no site Frases.inf.br um livro de selos de Kim Kardashian que você pode pagar em dinheiro, e a palavra “selfie” é até reconhecida no dicionário de Oxford (onde ganhou o cobiçado título de “palavra do ano” em 2013).

O “boom” da selfie pode estar atrás de nós, mas nunca foi destinada a ser apenas uma tendência passageira – estes auto-retratos rápidos se transformaram em um acessório permanente de nossa cultura.

Porque ainda há muito preconceito contra a selfie?

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E como a maioria dos fenômenos onipresentes, recorremos à psicologia e à ciência para explicar nosso amor permanente pela fotografia de si mesmo. Ao longo dos últimos anos, os pesquisadores têm explorado os fatores por trás dos auto-retratos modernos, e suas descobertas nem sempre parecem cor-de-rosa.

Um estudo recentemente divulgado examinou a relação entre o auto-retrato e uso da mídia social, descobrindo que as pessoas que baseiam sua autoestima nas opiniões dos outros são mais propensas a publicar auto-retratos.

Pode ser o caso de pessoas que baseiam sua auto-estima na aparência não necessariamente acreditando que são capazes de competir socialmente neste domínio. Claramente, pode-se ficar insatisfeito com a aparência, mas ainda assim acreditar que a aparência é um componente importante da auto-estima.

Outras pesquisas apontam o narcisismo como um precursor de como os indivíduos são prováveis de se sentirem auto-suficientes. Embora não seja a primeira pesquisa a identificar isto, um estudo de 2016 descobriu que o narcisismo prediz significativamente a intenção dos indivíduos de postar suas fotos em sites de redes sociais.

Foram avaliados 85 participantes do estudo com o inventário de personalidade do narcisismo de alguns itens, e descobriram que aqueles que eram mais altos no nível de narcisismo tinham mais probabilidade de serem autossuficientes.

Fundamentalmente, ainda estamos presos pensando que as pessoas que se promovem são narcisistas. Entretanto, junto com outros psicólogos e pesquisadores, não há uma certeza de que postar selfies é um reflexo de egocentrismo, como alguns estudos podem sugerir.

Também se observa que o narcisismo pode ter uma conotação negativa nestes dias, mas não é necessariamente um traço “ruim” – na verdade, é uma característica que tem sido vinculada à extroversão na popular ferramenta de avaliação de personalidade.

O narcisismo continua sendo um tema debatido e estudado entre os psicólogos sociais (assim como os próprios autodidatas), e não se acredita que o narcisismo seja um traço inútil que reflita o caráter. O movimento humanista introduziu o conceito de narcisismo saudável, reconhecendo que alguma quantidade de amor-próprio ou auto-estima e uma avaliação realista e apreciação das próprias qualidades é necessária para um desenvolvimento saudável.

O narcisismo também não é um traço de tudo ou nada – há diferentes graus dele, e não estamos falando aqui de narcisismo patológico (que tem critérios diagnósticos).

Embora os auto-retratos já existam há muito tempo, a reinvenção moderna do auto-retrato é relativamente nova, portanto, muitas vezes não temos certeza de como nos sentirmos a respeito deles ou de como rotulá-los, sendo fácil chegar a uma conclusão negativa.